domingo, 31 de maio de 2009

Bullying nas Escolas: Para onde estamos caminhando?

O intuito da reflexão a seguir, é criar um espaço para a troca de informações e conscientização sobre a responsabilidade que temos de nos tornar agentes de mudança em nossas realidades.
Pois bem, um bom começo é compreender os fenômenos que se manifestam ao nosso redor. Dentre o universo de possibilidades no qual habitamos, o que me chamou atenção nesse momento foi a paz, tão solicitada por sua falta dentro dos lares e das escolas do mundo inteiro.
Falo nas escolas porque é lá que encontramos grande parte das nossas crianças, e também local onde vem acontecendo uma das mais atuais expressões de violência, o fenômeno social chamado “Bullying”.
A expressão “Bully”vem originalmente do inglês e equivale, no português ao termo “valentão”. Na literatura é designada para atos de violência física e psicológica sob a forma de provocações, humilhações e agressividade. De acordo com o cientista sueco Dan Olweus, o bullying acontece dentro das relações desiguais de poder, onde uma pessoa ou grupo está em condições de exercer o seu poder sobre alguém mais fraco.
A ação pode ser através de agressões física ou provocando o isolamento social das vítimas. Pode ocorrer individualmente ou em grupo, caracterizando-se pela intencionalidade do comportamento, cujo objetivo é provocar mal-estar e obter controle sobre a(s) outra(s) pessoa(s) de forma crônica, ou seja, repetidamente.
A prática do bullying na infância expõe a criança ao risco de desenvolver comportamento delinqüente e criminoso quando adulto. Pesquisas sobre o assunto revelam que os agressores, em sua maioria, são crianças ou jovens vindos de famílias desestruturadas onde os pais não supervisonam a educação dos filhos e o clima familiar é hostil. Muitas vezes os pais demonstram comportamentos agressivos e explosivos ao enfrentarem conflitos, tornando-se um modelo para seus filhos.
Os indivíduos afetados pelo comportamento agressivo dos outros, geralmente não dispõem de recursos psicológicos para reagir aos atos danosos que sofrem contra si. Quando estes indivíduos encontram-se em fase de desenvolvimento infantil, tal acontecimento pode trazer graves conseqüências para sua saúde mental, como por exemplo a depressão e em casos mais severos até mesmo o suicídio.
Essas crianças tornam-se menos sociáveis, inseguras, e apresentam baixo rendimento escolar. Em alguns casos mudam de colégio com freqüência, chegando a abandonar os estudos. Por terem sua auto-estima diretamente afetada, não solicitam ajuda e seu sofrimento é agravado quando seus familiares demonstram indiferença ou não dão credibilidade as suas queixas. Muitas crianças passam a apresentar sintomas psicossomáticos como pânico e fobias ligadas à escola
Os efeitos negativos dessa prática não param por aí.
Quando a escola não intervém no comportamento violento dos agressores, alunos que testemunham o bullying podem passar a adotá-lo, por perceberem que isso não irá levá-los a conseqüência alguma.
Quando a violência não encontra limites, pode levar a atos extremos. Muitos já tiveram espaços de destaque divulgados pela imprensa, resultaram em mortes causadas por alunos armados que ao entrarem na escola dispararam tiros contra professores e colegas.
Ao refletirmos sobre esse fato, encontramos motivo de preocupação e interesse tanto para os pais e profissionais da área da educação e da saúde, quanto para os próprios alunos envolvidos na questão, uma vez que, geralmente o bullying ocorre nas dependências da escola, sem o conhecimento dos professores ou supervisores escolares.
Precisamos lutar para que a escola venha a ser um espaço seguro, onde jovens e crianças aprendam a estabelecer vínculos de amizade, cooperação e respeito às diferenças, que levarão para os demais contextos sociais onde estiverem inseridas.
Não podemos permitir, seja por omissão ou tolerância, que crianças sofram qualquer tipo de violência física ou psicológica, dentro de suas casas ou nas escolas! Todos somos responsáveis em cultivarmos a paz que tanto desejamos para nossa sociedade.
Em meio a este mundo caótico e indiferenciado é urgente que nos perguntemos para onde estamos caminhando... A escola precisa contar com a comunidade para formação de uma cultura de não-violência entre nossas crianças.
A família tem como dever, apoiar e participar das ações preventivas de combate ao bullying.
É dever dos pais mostrarem aos seus filhos, já na primeira infância, que nenhuma forma de comportamento agressivo é adequado, seja ele físico ou psicológico. Jamais devem fechar os olhos ao perceberem que os filhos estão sendo vítimas ou autores de comportamentos violentos com seus colegas, porém, o ambiente familiar deve ser um espaço acolhedor, sustentado pelo diálogo. É necessário que os pais identifiquem quando o filho precisa da ajuda e o auxiliem a encontrar soluções para o seu problema, contando com profissionais especializados na área da saúde e educação como psicólogos e pedagogos.
A ajuda psicológica para agressores e vítimas do bullying pode ser efetuada através de um tratamento psicoterápico, onde essas crianças possam expressar sua raiva ou medo de forma adequada, conscientizando-os e responsabilizando-os por suas escolhas e ações.
Nas escolas, a psicologia deve trabalhar com a prevenção, avaliação e alternativas de redução do bullying, promovendo jogos de integração cooperativos e estimuladores da inclusão das diferenças. Para isso, deve estar inserido numa equipe multidisciplinar que o auxilie nessa questão.
Como aliadas de um trabalho de educação para a paz, é importante poder contar com práticas de exercícios físicos que treinem a coordenação, força, concentração, flexibilidade e equilíbrio, inclusive o emocional.
Pesquisas revelam que atividades físicas como a Yoga e a dança, são prátricas que além de trabalhar o corpo, trazem imensos benefícios piscológicos para as crianças. As conduzem para um melhor aproveitamento de suas energias, criatividade, autoconfiança e o seu objetivo é buscar uma harmonia entre o corpo, mente e emoções.
Palestras e grupos de reflexão com pais, alunos e professores, sobre as conseqüências que a violência pode trazer as diferentes situações do cotidiano, assim como campanhas educativas estimuladoras da convivência pacifica, respeito às diferenças individuais, e a solidariedade, também podem auxiliar na redução do bullying escolar.
Para encerrar momentaneamente essa reflexão, considero importante lembrar que as nossas ações hoje constroem o amanhã, partindo dum princípio sócio-histórico cujo preceito diz: “O homem constrói o seu mundo a medida que é construído por ele”.

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